quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Por que não ajudar (Psicologia Geral)

Kitty Genovese       Muito nos perguntamos por que algumas pessoas fazem mal  a  outras. Pouco nos preocupamos das razões de alguém fazer o bem para outro. A própria atitude altruísta já é justificável por si mesma e não necessita de razões. 
      Agora, quando o ajudar e prejudicar entram em conflito – aqui me refiro a ajudar uma pessoa que está sendo severamente prejudicada por outra –, isso nos questionamos ainda menos.
     Na década de 60, uma jovem está voltando para casa, em Nova York. É madrugada, mas uma parte da vizinhança permanece acordada. Enquanto a jovem caminha pela avenida fria, quase chegando a seu apartamento, percebe de súbito que um homem está em seu encalço. Assustada, começa a correr para chegar rapidamente em casa. Mas o tal homem a alcança e a apunhala pelas costas. Gritos de socorro são soltos na madrugada. Porém, não perturbam os sonhos daqueles que estão dormindo e aqueles poucos acordados não levam a sério. Um homem consegue espantar o assassino com um grito, dando uma chance a Kitty Genovese de sobreviver. Mas nada mais é feito. Ela se arrasta pelas ruas, com a esperança de alguém salvá-la. Escuta passos se aproximando. Não, não são passos de ajuda; são daquele homem terrível que retorna e volta a apunhalá-la e estuprá-la antes de seguir seu caminho. Depois de trinta minutos de ataque, o socorro chega. Mas tarde demais... Kitty morre no caminho para o hospital. Presume-se que 12 pessoas presenciaram o assassinato!
      Após este incidente, como afirma Gazzaniga e Heathrton, psicólogos começaram a investigar mais a fundo aquele problema muito pouco questionado.
      Mas, por que não ajudar? Por que deixaram Genovese ser apunhalada até a morte durante trinta minutos?
      Explicações para este fenômeno foram elaboradas a partir de então.
      Uma delas, dando o nome de “difusão de responsabilidade”, mostra que as pessoas esperam outras manifestarem uma atitude de ajuda para aí sim tomarem uma atitude. Desse modo – veja o paradoxo! – é mais provável que uma pessoa receba ajuda com poucas pessoas em volta ao invés de muitas que apenas assistem a cena.
      Somando a isto, há um receio de cometermos erros ou parecermos tolos ao fornecer ajuda a alguém que necessita. Por isto, se estivermos sozinhos nesta situação, não sentiremos o peso dos olhos julgadores de outros e teremos mais facilidade para ajudar.
      O que acontece nesse contagio de estagnação social? O quanto somos influenciados pela ação (ou pela não ação) de nossos vizinhos?

Nenhum comentário:

Postar um comentário