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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A arte de ler – Émile Faguet (Dicas de Livros)

A arte de ler - Émile Faguet      Em plena transição do século XIX para o XX, Faguet já estava   atento a decadência da prática da leitura – quem dirá do exercício acurado desta prática! Na verdade, o autor, na abertura do livro, nos relembra que esta arte já começava a ofegar um século antes: lê-se muito pouco, dizia Voltaire, e, entre os que desejam se instruir, a maioria lê muito mal.¹ Quão emergente é essa observação para o nosso século!
      Em “A arte de ler” descobrimos que não existe apenas um modo de ler, mas vários. O tipo de texto que temos em mãos e nossos propósitos guiarão nossos passos. Não se lê os poetas da mesma maneira que se lê os romancistas; assim como não lemos um romance como lemos um livro de filosofia.
      Mas qual a diferença destas leituras, então?
      Faguet nos oferece um caminho para cada uma delas.
     No percurso deste livro podemos até encontrar certas dificuldades na leitura - um estilo erudito e uma certa abundância de referências desconhecidas. Mas o próprio livro é a chave para compreendê-lo. Acima de tudo, ler devagar e ir além do texto. Se não conhece uma palavra, procure no dicionário! Se desconhece um escritor referenciado, procure no Google – melhor ainda em outros livros! Não há pressa. Ler com calma este livro é aprender a ler plenamente todos os restantes que chegarem às suas mãos.
     Que o título “A arte de ler” – assim como o livro no todo – seja um reflexo de um problema muito anterior em nosso país: a arte de começar a ler.

      Título: A arte de ler
      Autor: Émile Faguet
      Editora: Casa da Palavra
      Assunto: Teoria e crítica literária

¹ FAGUET, Émile. A arte de ler. Rio de Janeiro: Casa da palavra, 2009.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Oficina de Escritores – Stephen Koch (Dicas de Livros)

OFICINA_DE_ESCRITORES

Este livro é o melhor presente dado ao mundo de aspirantes a   escritores. Em meio ao texto do autor, encontramos vozes de escritores famosos, desde os eruditos até os mais populares. Elas parecem ser um reflexo de nossas próprias vozes interiores, que clamam, angustiadas, por compreensão das dificuldades que um escritor iniciante enfrenta. Seja o receio de iniciar a criação de uma obra; a angústia que sentimos ao nos darmos conta que não estamos escrevendo bem; a falta de precisão e de controle sobre o texto. Neste livro, descobrimos que não estamos no mesmo barco.
       Stephen Koch rompe com diversos mitos relacionados a arte de escrever. Como por exemplo:

      - Escrever apenas quando estamos inspirados – uma inverdade! Se fosse assim, como existiriam escritores tão produtivos como Stephen King?

       - Só o talento move o escritor – sem dúvida, há muitos talentosos fracassados pelo mundo literário. E não é difícil achar!

       - No meio do processo da escrita, se acharmos a obra ruim é uma boa razão para desistirmos – percorrer um caminho errado é tão proveitoso quanto percorrer um caminho certo. É um importante sinal que na segunda versão, a rota deve ser corrigida.

       Todos estes pontos, entre outros, são abordados no livro com intensa sabedoria e esclarecimento.
       O livro é dividido em partes que abrange o todo (ou o quase todo!) da arte da ficção. Há um capítulo inteiro sobre como dar vida às personagens. Outro sobre técnicas para retrabalhar a primeira versão. E outro falando unicamente sobre a vida de escritor. Dizendo que ela é difícil, solitária... e também das dificuldades de adequar essa vida à todo os outros pontos relevantes que não podemos deixar de lado: as pessoas que amamos, as exigências profissionais, a falta de tempo. E que esta luta não é diferente para nenhum escritor, nem mesmo os mais geniais e produtivos.
       Este não é um livro de apenas uma leitura. Toda a vez que perdermos a força do nosso trabalha, em meio a um projeto, podemos voltar a lê-lo, e descobrir outros pontos brilhantes que não tínhamos percebido.

       Sem dúvida, um livro de cabeceira!

      Stephen Koch, Oficina de Escritores: um manual para a arte da ficção. Editora: Martins Fontes.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Memórias do Subsolo – Fiódor Dostoiévski (Dicas de Livros)

Memorias do subsolo - Dostoievski

Num canto de Petersburgo um homem está retirado em seu subsolo. Ali, pretende manter-se na solidão e definhar. Definhar de propósito, de raiva. Sua mente está repleta de ideias  paradoxais, que se chocam como nuvens e trovejam enraivecidas. Com papel em branco a sua frente, ele pretende lançar os raios desta tempestade psíquica sobre a terra. Investe contra o Racionalismo de sua época, assim como a falta de razão; contra a ciência e a superstição; contra todos e contra si mesmo.
Escrita em 1864, a novela Memórias do Subsolo representa uma nova etapa da obra de Fiódor Dostoievski. Ela é considerada sua primeira grande obra após ter retornado da sua pena de quatro anos de trabalhos forçados, na Sibéria. Dostoievski escreveu este livro numa crítica situação financeira, além de vivenciar momentos difíceis de sua esposa que sofria de tuberculose. No início de sua publicação, a novela não fez sucesso, recebendo duras críticas e interpretações errôneas. Como diz Boris Schnaiderman no prefácio desta edição “Tem-se assim um exemplo bem claro de como os contemporâneos muitas vezes são os piores interpretes de uma obra”.
Esta novela é inquietante e nos faz pensar. Lendo-a, conseguimos refletir sobre nossa condição humana, principalmente sobre a psique humana. Por mais que a leitura possa ser pesada, o leitor tem a oportunidade de ver o reflexo de uma época marcada pelo cientificismo. E o quanto este último afeta o ser do “subsolo”.
Por fim, indico este livro de Dostoievski editado pela 34, e não outra. Isto porque, a Editora 34 tem um carinho e um zelo extraordinário por transmitir obras estrangeiras para a língua portuguesa da forma mais fiel possível. Ou seja, traduzir a obra da sua língua original, neste caso, o russo. Feita por Boris Schnaiderman, esta tradução merece os parabéns (assim como merece a editora) por trazer às nossas livrarias e bibliotecas a alma deste mestre russo.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Dicas de Livros – Leituras para hoje e amanhã.

post 1 Jeune fille au carlin de Charles Burton Barber

Com o objetivo de estimular novas leituras, abro este espaço onde irei postar indicações de livros. Desde literatura até livros científicos, serão apresentadas grandes obras antigas, clássicas e atuais. 

A leitura está atrofiada nas atividades dos brasileiros em geral. E as razões são diversas. Existem aqueles que acham cansativo, monótono e chato; apenas se aproximar dos livros é motivo para sentirem náusea. Podemos chamá-los de bibliófobos. No entanto, existem aqueles que têm afeto pela leitura, mas carecem de tempo. Ou melhor, carecem de fôlego. A exaustão os faz procurar uma atividade mais passiva. Contudo, acredito que a leitura diária é fundamental. Não me refiro à leitura de jornais ou sites, mas sim ao livro, onde o prazer de pensar com um pouco de ajuda é desfrutado à longo prazo. E aqui vale algumas palavras de Émile Faguet, um crítico literario que trouxe à nossos tempos reflexões sobre a arte de ler:

“(...) o livro, esse pequeno móvel de inteligência, esse pequeno instrumento que põe em atividade nosso entendimento, esse motor do espírito que vem socorrer nossa preguiça e mais amiúde nossa insuficiência, e que nos dá o delicioso prazer de acreditar que pensamos, enquanto que talvez não pensemos em absoluto, é um amigo precioso e muito caro.”

 

Referência imagem: Jeune Fille au Carlin (Charles Barber)