Mostrando postagens com marcador Dicionário dos Símbolos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Dicionário dos Símbolos. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Inverno (Dicionário de Símbolos)

Hefesto (Vulcano)       Se procurar significados simbólicos do inverno é se meter no  meio de uma geada na mais alta serra, em busca de objetos dourados, logo descobrimos que temos sobre as mãos mais neve e frio do que pedrinhas preciosas. Voltamos com muito pouco para mostrar.
      As estações em geral representam o ciclo da natureza e do ser humano. De modo que, o inverno é representado por um velho próximo a uma fogueira em seu leito de morte. Também é representada por um fogo na lareira. Um dos animais que a simboliza é a salamandra. O deus por excelência associado a esta estação é Hefesto (Vulcano na mitologia romana), considerado mestre nas artes do fogo.
      Dessas poucas pedras preciosas algo podemos concluir: a sensação que o inverno traz – e aqui me refiro àquele frio impetuoso que nos corta a pele – é dificilmente suportável. A maioria de suas representações se referem ao seu oposto. Enquanto que o inverno traz frio e gelo, ele é simbolicamente associado ao calor e fogo.
      O verão não deixa de ser associado aquilo que realmente representa. Apolo é seu arauto, o deus solar.
      O calor nos aquece...
      Mas o frio?! Como é difícil suportá-lo. Precisamos criar legiões simbólicas para combatê-lo: lareiras, salamandras, Vulcano!
      Se houvesse uma guerra das estações, o ser humano se esconderia antes de tudo do frio.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Ouro (Dicionário dos Símbolos)

Ouro

O ouro simboliza a eternidade, a perfeição absoluta, o caminho  para a felicidade. São palavras estranhas para um mundo capitalista onde o burguês – ou melhor dizendo, demasiado burguês – é visto com maus olhos, devido a sua fome por dinheiro e apego material. Mas, o simbolismo acima não diz respeito ao ouro material, mas sim à sua representação espiritual.

      Em quase toda a sua trajetória simbólica, o ouro é atribuído à divindade. Acima de tudo, é o mais nobre dos metais e representava o deus solar, na Idade de Ouro. 
      Podemos ver que, na Idade Média, o fundo de alguns quadros eram de ouro, símbolo da Luz Celestial. Jesus, por exemplo, é normalmente apresentado como um homem de cabelos dourados. Não a toa, pois, no Cristianismo, o ouro simboliza o amor.
      A transmutação das coisas em ouro pelos alquimistas não tem como objetivo o acúmulo de riquezas. Muito pelo contrário: é através da alquimia que eles se desprendem do mundo material.
      É símbolo também dos mistérios da terra.
     Já os astecas consideram o ouro excrementos dos deuses. Existe a crença de que, uma vez sonhado com ouro, este representa nada mais que excrementos.

     E rei Midas? Aquele que, por ajudar o pai de Dioniso a encontrar seu caminho para casa, decide escolher como recompensa o seguinte poder: tudo que tocasse, viraria ouro. Sem dúvida, temos aí a figuração da cobiça, já que Midas não deseja decidir quando transformar as coisas em ouro: quer ouro para sempre. E com isso, fica impossibilitado de comer, deixando o suave vinho se transformar em puro ouro derretido, que periga descer por sua garganta.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Guarda-Chuva (Dicionário de Símbolos)

Guarda-chuva

É importante salientar que antes da invenção deste objeto para  nos protegermos da chuva, já era usado desde a antiguidade algo análogo, mas para se proteger do Sol. Assim, há uma grande diferença simbólica entre o guarda-chuva e o guarda-sol (ou sombrinha).

      Enquanto que a sombrinha representa dignidade e riqueza – já que era usada para a proteção dos reis antigos contra o Sol -, o guarda-chuva simboliza uma proteção muito mais inferior, de baixa dignidade. Ficar abaixo de um guarda-chuva significa fugir das responsabilidades e da realidade.
     Isto talvez esteja relacionado à Jonas Hanway, inglês comerciante que inventou o guarda-chuva no século XVIII. Durante sua vida foi ridicularizado e só depois de sua morte os ingleses começaram usar o acessório para se protegerem da chuva. Em vida, seus contemporâneos não viam o guarda-chuva como objeto de um gentleman. Tanto que era utilizado para os dias de Sol, de uso exclusivamente feminino.
      A antiga produção de Gene Kelly “Cantando na Chuva” quem sabe demonstre a liberdade e a independência do homem em relação ao guarda-chuva, quando, deixando sua amada em casa, resolve fechá-lo e seguir cantando enquanto a chuva o encharca. Pode simbolizar a aprovação das responsabilidades da vida, encarando-as com alegria.

      A meu ver, assim como representa proteção, aparenta uma proteção frágil. Porque... a facilidade com que o guarda-chuva se desmancha com um sopro na chuva é impressionante! E não falo apenas de guarda-chuvas de material ruim. Basta ele virar do avesso para, em poucos dias de uso, se desfazer em pedaços de ferro pontudos.

Referencia imagem: http://browse.deviantart.com/?q=umbrella&order=9&offset=24#/d1ratf4

domingo, 14 de novembro de 2010

Barco (Dicionário de Símbolos)

Departure of the Winged Ship

Em todas as culturas, o barco simboliza uma viagem, seja para a  travessia do mundo material ao espiritual, seja o inverso. A barca dos mortos é frequentemente encontrada nas civilizações. É ela que transporta os mortos para o Outro-Mundo.

     Se pensarmos esta viagem como uma aventura, de fato é uma aventura um tanto triste. Na história, poucos significados simbólicos do barco passavam de algo perigoso, melancólico, lúgubre. Na mitologia egípcia, a serpente Apópis (que corresponde à uma encarnação de Set) surgia abruptamente nas águas do oceano e rodeava o barco de quem passava, com o objetivo de virá-lo. Ela lança chamas e cria redemoinhos para se apoderar da alma dos navegadores. E, se eles resistem, o barco simplesmente seguirá seu percurso para o subterrâneo, onde perecerão.

        Mas será que o barco possui apenas esta simbologia? A trajetória de um barco pelo oceano não poderia representar uma passagem importante em nossas vidas? Quando precisamos abandonar uma ilha em nossas vidas para alcançar outra, passamos por turbulências, até mesmo tempestades, podemos muito bem recostar nosso barco em um porto alegre, um porto que demonstra a conquista de algo. Seja passarmos por uma trajetória de uma amizade, de um trabalho que desejamos concluir, de até mesmo uma passagem de um ponto de vista diferente sobre a vida. 
       Talvez esta seja uma interpretação possível da pintura surrealista acima, de Vladimir Kush. A borboleta, entre outros significados simbólicos, representa a própria vida. As velas de um barco representadas por borboletas quem sabe possam significar o recebimento do sopro da vida, que empurra o barco para uma aventura oceânica onde possa embarcar numa praia. Uma praia que represente uma nova vida que nasce. 
       Quem sabe...

Referencia imagem: Departure of the Winged Ship (Kush)

domingo, 17 de outubro de 2010

Floresta (Dicionário de Símbolos)

Chapeuzinho Vermelho - Klever Yuliy

Em nossa vida urbana, estamos em contato com aquilo que é familiar. As ruas que passamos para ir ao trabalho, as pessoas  que convivemos, a cidade onde moramos. É por isso que a floresta simboliza – entre outras coisas – a fronteira entre o conhecido e o desconhecido. Ela é misteriosa, enigmática, esfíngica. E exatamente por este motivo, projetamos as mais diversas fantasias neste local: pode ser tanto um lugar sagrado, habitado por anjos e espíritos; quanto um centro abominável no mundo, com demônios e bestas selvagens. 
          A floresta também simboliza um espaço de refugio da corrupção do homem em sociedade. É exatamente isto que os eremitas e ascéticos buscam, no encontro com a natureza pura. Só assim torna-se possível o desenvolvimento espiritual.
          Por ser úmida, terrosa e escura, semelhante ao útero, a floresta era compreendida na antiguidade como o princípio feminino. Não é a toa que o compositor Richard Wagner, em sua última obra “Parsifal”, expressa esta poderosa metáfora. Nesta ópera, a mãe do herói leva-o aos confins de uma floresta. Ali, passa a criá-lo, para que não aprenda a arte da guerra e, desse modo, não se torne adulto.
          Lembremos também da história de João e Maria. As duas crianças são abandonadas e se perdem em uma floresta. Encontram uma casa de doces – que servia de armadilha para a bruxa atrair crianças – e não resistem a tentação. Passam por grandes apuros. Mas, somente com a astúcia e o autocontrole conseguem se verem livres daquele mal e encontrarem o caminho de volta para casa. Assim, a floresta também representa uma iniciação, um rito de passagem, de autodesenvolvimento. Toda a vez que passamos por uma crise – a menor que seja – simbolicamente ficamos perdidos e abandonados em uma densa floresta. Cabe a nós encontramos o caminho de retorno à morada interna.

Referência Imagem: Chapeuzinho Vermelho – Klever Yuliy

terça-feira, 20 de abril de 2010

Crisântemo (Dicionário dos Símbolos)

crisântemo 1

Esta flor, tradicional da Ásia, vem sendo cultivada a mais de vinte  e cinco séculos na China. Ela é considerada uma das mais nobres plantas chinesas, estando entre o bambu e a orquídea. Flor de ouro... esta é a sua tradução do grego. Não a toa que, sua disposição irradiante das pétalas faz com que tenha um simbolismo solar. Com base no Sol eterno, este simbolismo se associa à longevidade e à imortalidade. 
          No continente asiático, além do simbolismo solar, o crisântemo também está associado à plenitude e completude, ou seja, que trás alegria aos olhos. 
         Tanto na Ásia quanto na Europa, é a flor do outono. E, pelo fato de o outono representar a estação da tranqüilidade depois do trabalho árduo nos campos, o crisântemo também representa a flor que “se esconde e evita o mundo”, conforme a interpretação do filósofo Tche T’uen-yi.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Cebola (Dicionario dos Símbolos)

Cebola

A sua forma bulbosa, suas camadas sucessivas e seu forte cheiro são características que lhe proporcionam simbolismo peculiar. Até mesmo uma seita foi consagrada a seu culto. O brâmane (membro da casta sacerdotal indiana) Ramakrishna - um homem que viveu no século XIX dedicando-se ao asceticismo – faz analogia as camadas folhadas do bulbo com a estrutura do ego. Ou seja, assim como as camadas da cebola não chegam a nenhum núcleo, nossa vida espiritual consiste em nos aprofundarmos nos andares do ego, até chegarmos ao vácuo, ao vazio.
Os egípcios preveniam-se de doenças com hastes de cebolas, enquanto que os latinos evitavam a cebola, acreditando que enquanto ela crescia, a Lua diminuía. Pelo seu cheiro forte, simboliza a força vital, assim como as virtudes afrodisíacas.

Mas há mais. Nas referencias não encontrei a capacidade de a cebola nos fazer chorar. Choramos quando a descascamos e retiramos suas camadas, uma a uma. Isto não representaria também o sofrimento do ser humano ao se aprofundar em seu ego e descobrir coisas inaceitáveis para si mesmo? Nos vemos com uma casca protetora, acreditando ser a essência do nosso ego. Mas, quando retiramos esta casca, nos deparamos com o real âmago do ser, trazendo ardência nos olhos e o escorrer das lágrimas.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Rubi (Dicionário dos Símbolos)

Rubi

Esta pedra preciosa que muda de uma cor vermelha para uma tonalidade púrpura era considerada na antiguidade símbolo da felicidade. A sua mudança para o pálido indicava avisos de desgraça e infelicidade. No entanto, ao retornar à cor púrpura, retomava o estado “saudável” das coisas.


         Considerado a pedra do sangue, o rubi era diluído em substâncias e utilizado para terapias homeopáticas (tratamento de uma doença que utiliza medicamentos que causam os sintomas da própria doença) com o objetivo de curar hemorragias. A tradição popular russa acreditava que era bom para o coração, o cérebro e que purificava o sangue. Também é considerada a pedra dos enamorados. 
        Alguns dragões e serpentes lendárias possuíam um rubi na testa, que lançava raios e iluminava as trevas. 

sábado, 30 de janeiro de 2010

Bolha (Dicionário dos Símbolos)

A menina e as bolhas de sabão

Nossas mãos de criança estendiam-se para o céu, querendo apanhar estas leves esferas que estouravam com a brisa. Como dizia Victor Hugo “a bolha de azul-celeste que meu sopro aumenta” simboliza a criação efêmera, por ser limitada e passageira. 
       No Budismo, a impermanência do mundo, ou seja, as transformações das coisas e dos seres que inexoravelmente perecem, é simbolizada pela bolha. Dessa forma, quem aceitar o mundo como uma bolha efêmera, descobrirá a verdade e poderá viver tranquilo.

        Bem, de fato não podemos guardar uma bolha de ar ou de sabão em nossas estantes. Ela estoura com facilidade e some. Mas, basta sentir a alegria de uma criança vendo uma bolha voando suavemente para percebermos que, mesmo depois de estourar em gotículas, ela ainda permanecerá na lembrança.
        É assim como nossos sonhos que crescem, crescem, crescem... até estourarem com o abrir dos olhos.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Cílios (Dicionário dos Símbolos)

Cílios

Para os poetas árabes e persas, os cílios são considerados, junto com os olhos, as armas do amor. São comparados com espadas e flechas, assim como um exército de cavaleiros.
Apesar de ser uma simbologia oriental, ela está extremamente incrustada em na cultura ocidental. Bem sabemos ao ver personagens de desenhos animados que caricaturizam a mulher sedutora com enormes cílios que se curvam suavemente.
         É interessante refletir porque os poetas compararam os cílios com espadas e cavaleiros. Uma vez que a função destes pelos que crescem nas bordas das pálpebras é de proteger, assim como o exército de um reino. De certa forma é uma “síntese” dos propósitos que damos aos cílios: seduzir e proteger.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Berço (Dicionário dos Símbolos)

O Berço - Berthe Morisot

Talvez não nos lembremos de nossas noites tranquilas no berço, mas, sem dúvida, ele deixou sua marca em nosso inconsciente. Além de simbolizar o seio materno, ele representa também o retorno ao útero, por ser protetor, aconchegante e cálido. Pelo fato de antigamente ter o formato de uma barca, simboliza também uma viagem. E agora, tomado pela nostalgia, pergunto-me: será que nos dias de nossa infância, sob o balanço seguro do berço, não imaginávamos estar navegando pelo mundo, levados pelo vento materno? Quem sabe... nossa primeira aventura. 

 

Pintura – O Berço (Morisot)

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Chaminé (Dicionário dos Símbolos)

 

Santa on Chimney No alto de uma casa, a chaminé permite que as feiticeiras saiam voando de suas salas onde preparam suas poções e se dirijam ao Sabá; assim como permite que o Papai Noel entre em nossas casas, trazendo presentes. Por este motivo, a chaminé simboliza vias de comunicação. Ela representa a ligação entre o céu e a terra: seja para recebermos influxos do céu, seja para elevarmos nossa alma da terra ao reino celestial. Assim, ela representa o eixo do mundo.
A fumaça exalada da chaminé simboliza uma respiração, ou seja, significa que há vida na casa. Essa fumaça mostra que há fogo em seu interior, mantendo-a viva e animada, assim como mantém unida a família que nela vive. Então, nos dias gélidos do inverno, ao avistarmos uma casa do lado de fora e não encontrarmos os sopro saindo da chaminé, indica que esta casa está morta. Ou seja, não há união da família, pois cada um deve estar em seu cômodo. Mas, quando os membros da família se reúnem na sala de estar (o coração da casa) e ascendem a lareira, a casa volta a respirar e o seu coração a bater. Podemos ouvir sua pulsação representada pelas risadas de uma família unida.

 

Referência imagem – Santa on Chimney

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Dicionário dos Símbolos – Vivendo o mundo simbólico.

Yin Yang Aqui serão apresentados verbetes com seus significados simbólicos. A principal fonte é o Dicionário de Símbolos de Jean Chevalier e Alain Gheerbrant. Para quem escreve é um ótimo recurso, afinal, muitos dos significados simbólicos são compartilhados por todos os indivíduos da nossa cultura, consciente ou inconscientemente. Todavia, é um erro fatal trabalhar demasiadamente o significado simbólico de uma obra literária e esquecer os recursos e técnicas da sua principal ferramenta: a linguagem.

Quando andamos pela rua, absortos pela correria moderna, vemos coisas que consideramos banais. Uma árvore e suas folhas balançando ao vendo é apenas uma árvore com folhas balançando. Nada mais. Só quando percebemos que elas podem ter significados diversos – assim como a polissemia de uma palavra – é que passamos a vê-las de um modo mais ampliado, mais significativo para nossas vidas. A capacidade de simbolização nos permite ir além do conhecimento científico. Quando vemos uma árvore e perguntamos “O que é isso?” temos a resposta da botânica “É uma planta lenhosa de grande porte (ou porte pequeno como o bonsai) composta por raiz, caule, folhas e podem ter ou não flores ou frutos”. Mas quando perguntamos “O que representa isso?” abre-se um leque de significados que podemos utilizá-los em nossas vidas, independente do objeto concreto: a árvore. E sem dúvida, todas as noites mergulhamos em um oceano de símbolos subjetivos, que são os sonhos.

 

Imagem: Yin Yang