Se as palavras são mais do que um simples conjunto de sons e significados; se além de ouvidas, são sentidas; se podemos aspirar seu aroma e flutuar em sua brisa; se apreciamos seus sabores com os ouvidos; se sentimos o gotejar de cada sílaba poética sobre o lago mais profundo do espírito... e, para ser mais direto e franco, se as palavras são antes de tudo vida, e o desejo pela vida, então, vivamos as palavras de Paulo Autran.
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Declamação de Paulo Autran (Sobre Literatura)
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Ventando (Filosofia)
Está ventando, e cada fiapo do inverno que toca meu rosto me faz pensar que existem dois tipos de frio em nossos tempos.
Um, o frio prazeroso, o frio burguês, o qual recebe suplicas para aumentar, enquanto o mercúrio despenca para as vizinhanças do zero. Quando, na verdade, é a nossa vitória sobre ele que gera este prazer. Como o coração infla de júbilo ao derrotar esse exército, vestindo apenas uma armadura de veludo!
Outro – bem mais esquecido e desprezado –, aquele frio miserável, o qual não se tem controle. Chega e se afasta como as ondas, impregnando sem permissão as paradas dos desabrigados. Nesta guerra, o “atenuar” não existe. Mesmo que lutemos pelo calor, o frio o devora, como o Sol devora a noite.
Para um, o frio é tortura. Para outro, nada além de charme.
E, assim como tudo aquilo que é banal e esquecido, é este frio impetuoso que me preocupo.
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
A arte de ler – Émile Faguet (Dicas de Livros)
Em plena transição do século XIX para o XX, Faguet já estava atento a decadência da prática da leitura – quem dirá do exercício acurado desta prática! Na verdade, o autor, na abertura do livro, nos relembra que esta arte já começava a ofegar um século antes: lê-se muito pouco, dizia Voltaire, e, entre os que desejam se instruir, a maioria lê muito mal.¹ Quão emergente é essa observação para o nosso século!
Em “A arte de ler” descobrimos que não existe apenas um modo de ler, mas vários. O tipo de texto que temos em mãos e nossos propósitos guiarão nossos passos. Não se lê os poetas da mesma maneira que se lê os romancistas; assim como não lemos um romance como lemos um livro de filosofia.
Mas qual a diferença destas leituras, então?
Faguet nos oferece um caminho para cada uma delas.
No percurso deste livro podemos até encontrar certas dificuldades na leitura - um estilo erudito e uma certa abundância de referências desconhecidas. Mas o próprio livro é a chave para compreendê-lo. Acima de tudo, ler devagar e ir além do texto. Se não conhece uma palavra, procure no dicionário! Se desconhece um escritor referenciado, procure no Google – melhor ainda em outros livros! Não há pressa. Ler com calma este livro é aprender a ler plenamente todos os restantes que chegarem às suas mãos.
Que o título “A arte de ler” – assim como o livro no todo – seja um reflexo de um problema muito anterior em nosso país: a arte de começar a ler.
Título: A arte de ler
Autor: Émile Faguet
Editora: Casa da Palavra
Assunto: Teoria e crítica literária
¹ FAGUET, Émile. A arte de ler. Rio de Janeiro: Casa da palavra, 2009.
domingo, 31 de julho de 2011
Retomada do blog
Devido à má administração do tempo, não consegui dar continuidade ao blog desde fevereiro deste ano.
Mas amanhã, dia 1 de agosto, retomo as atividades. Neste mês (agosto) vou publicar duas vezes por semana, às segundas e quintas-feiras. Pelo menos, até eu conseguir manter uma continuidade maior.
Comentários, críticas e debates serão sempre bem-vindos!